Luiz Sôlha

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“Figura, lugar e mestres”.
Março de 1977, em São Paulo, hora de trabalhar muito, escanear mentalmente as imagens e digeri-las com a velocidade das circunstancias. Às pressas chegam os anos oitenta, cursinho, vestibular, FAAP, professores e companheiros de jornada, iniciada em 1981. Grato, pelas duas bolsas de estudos, concedidas como premio aquisição, nas exposições anuais. Pintava cenas impressionadas na memória, sempre a figura, com a luz como guia e
um mix de matérias nas grandes dimensões.
Pitanga do Amparo mostrou em 1985. Volume com ausência de massa para as esculturas, desenhos espaciais feitos com fio conduite de eletricidade, moldado na mão, amarrado com alicate. Paródia das esculturas clássicas e comentário sobre a sociedade de consumo, que mostrei no vão livre do Masp, em 1986. Eu fazia ilustrações para propaganda. Grato Magy Imoberdorf. Os anos noventa me trazem ao cenário do ateliê coletivo “Frederico Steidel”, e então comecei a pintar em óleo sobre tela, a mídia, arte do destaque, informação, recorte, ampliação, linguagem imagem-texto. “Seu trabalho fecha um círculo iniciado com outras obras, postas na circulação social, mediadas pelas instâncias críticas, pelos meios de comunicação de massa e finalmente reconvertidas em arte”, Carlos Uchoa, maio de 1994 (ver TEXTOS). Pintei tijolinhos de anúncios de jornal, exposições, artistas de todas as áreas, imagens e palavras revistas, sempre extraídas de veículos de domínio público. Nunca o privado, mas o público, o notório, o já exposto. “Idolatria”, admiração, e homenagem aos retratados, que compõem esta “mídia pintada”, onde cada edição tem tiragem única e impressa a óleo sobre tela. “Sôlha faz uma metaperformance a partir da tela, cita instalações ou artistas da performancena”. Grato ao Paulo Klein (ver TEXTOS), que fez a curadoria, em 1996, da exposição no Renato Magalhães Gouveia Stúdio, com montagem de Ricardo Rezende. Em 1998, venho com o ateliê para Vila Madalena, e na virada do século desenvolvo o projeto “A Tinta Pintada”, que nasce do casamento da luz com uma lente que aproxima. O lugar é a palheta de pintura. Registro a escultura de cor que está prestes a ser massacrada pelo pincel, disposta a fundir-se com outros tons, para tornar-se agente e matéria da pintura que retrata a si mesma. “Prevalece, porém, imagem do instante fugidio em que o óleo ainda é apenas o rico elemento em estado bruto, a pura possibilidade primitiva da pintura”. Grato, Felipe Chaimovich (ver TEXTOS). Grato a BaróCruz. Hoje recebo alta de quatro décadas e forma-se no portal 50 um caleidoscópio de imagens e influências, moldadas por todos os ídolos que encontrei, que li, citei, retratei, assisti, ouvi, troquei palavras, emails, nestas décadas aprendendo pintura e disciplina. Às vezes posso ter faltado numa ou noutra aula. Só os mestres estão sempre presentes.
Luiz Sôlha. São Paulo, 23 de fevereiro de 2008.
Atelier : (11) 3031-0130

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